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Saúde Mental em Foco: Como a pressão familiar na reta final do Enem pode afetar os jovens

Especialista alerta que transformar a aprovação em obrigação eleva níveis de ansiedade; trocar cobranças por acolhimento faz a diferença no desempenho e na autoestima.

03/11/2026 às 16h36
Por: Redação
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Do autor / Foto: Reprodução
Do autor / Foto: Reprodução

A contagem regressiva para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mobiliza milhares de estudantes e suas famílias em todo o país. No entanto, enquanto os livros e simulados dominam a rotina dos candidatos, um fator invisível — mas decisivo — ganha espaço nos bastidores dos lares: a pressão psicológica. A poucos dias das provas, especialistas alertam que a cobrança excessiva por resultados pode transformar o ambiente familiar de um porto seguro em uma fonte adicional de estresse.

De acordo com a psicóloga Irenilza Moura, da rede Hapvida, o problema costuma surgir de forma sutil, muitas vezes disfarçada de incentivo. “Existem muitos pais que colocam suas próprias expectativas nos filhos acreditando que estão ajudando. Mas o jovem pode começar a se sentir cobrado, a não se sentir amado ou a achar que só é valorizado se passar na prova”, explica.

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O peso da autocobrança e das comparações

Na adolescência — fase marcada pela transição, busca por identidade e consolidação da autoestima —, o impacto emocional de uma grande avaliação é redobrado. O medo de decepcionar os pais, as expectativas sociais e a exposição constante a comparações nas redes sociais criam uma atmosfera de vulnerabilidade.

Para muitos estudantes, o senso de valor pessoal passa a ficar atrelado exclusivamente ao desempenho no exame. “Existe a cobrança familiar, mas existe também a autocobrança de que, se não passar, os pais não vão valorizá-los e os amigos vão achar que são incapazes. Isso intensifica a ansiedade de forma drástica”, pontua a psicóloga.

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Do choque à escuta: como trocar a cobrança por acolhimento

Para mitigar os riscos à saúde mental dos jovens, a orientação é clara: substituir o tom de cobrança por posturas ativas de escuta e validação. Pequenas mudanças na comunicação diária fazem enorme diferença na forma como o estudante assimila a pressão da reta final.

Perguntas que geram tensão — como "você estudou o suficiente?" ou "e se você não passar?" — devem dar lugar a abordagens empáticas, tais como:

  • "Como você está se sentindo nessa reta final?"

  • "Do que você precisa nesse momento?"

  • "Como eu posso te ajudar?"

“Se você traz palavras acolhedoras em vez de pressão, isso traz proteção para a saúde mental desse adolescente e gera um apego seguro. É mostrar que o importante é ele dar o seu melhor. E, se ele der o melhor, os bons resultados serão uma consequência natural”, afirma Irenilza.

O que os pais devem evitar a todo custo nesta fase

Nesta reta final, determinadas atitudes comuns podem fragilizar o equilíbrio emocional do candidato e devem ser rigorosamente evitadas pelas famílias:

  • Comparações: Nunca compare o estudante com irmãos, primos ou colegas considerados mais dedicados; isso compromete severamente a autoestima.

  • Condicionamento de afeto: O apoio emocional e o carinho familiar jamás devem depender de uma aprovação.

  • Exigência de ritmo ininterrupto: Exigir que o jovem estude o tempo inteiro, abrindo mão de momentos de descanso e lazer, é contraproducente.

  • Minimização do sofrimento: Quando o candidato sinalizar cansaço ou exaustão emocional, jamais rotule o sentimento como “drama” ou “falta de esforço”.

O que ajuda de verdade na preparação

Em contrapartida, o suporte prático e emocional da família é um diferencial competitivo e de saúde. Ajudar a organizar a rotina, garantir um ambiente de estudos adequado, respeitar os horários de sono e descanso e valorizar o esforço empreendido — independentemente da nota final — são atitudes que fortalecem o jovem.

“O Enem é importante, mas não define quem o adolescente é, nem determina sozinho o futuro. Uma aprovação pode abrir portas, mas uma reprovação não encerra possibilidades”, lembra a especialista. Segundo ela, o erro faz parte do aprendizado, permitindo que o jovem reavalie caminhos e adquira novas responsabilidades para os próximos desafios.

“É fundamental que as famílias incentivem sem transformar o amor em cobrança. Nenhuma prova deve custar a saúde mental de alguém. Cuidar de si também faz parte da preparação para o futuro. Cuidar da saúde mental e das emoções pode salvar uma vida”, conclui.

O grande objetivo, portanto, ultrapassa a nota de corte: trata-se de atravessar esse ciclo mantendo a integridade psicológica, a autoestima e a esperança no futuro. Que, ao olhar para trás, cada estudante possa ter a certeza de que a família esteve ao seu lado para vencer qualquer obstáculo.

(Com informações da Assessoria de Imprensa Hapvida).

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