
A contagem regressiva para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mobiliza milhares de estudantes e suas famílias em todo o país. No entanto, enquanto os livros e simulados dominam a rotina dos candidatos, um fator invisível — mas decisivo — ganha espaço nos bastidores dos lares: a pressão psicológica. A poucos dias das provas, especialistas alertam que a cobrança excessiva por resultados pode transformar o ambiente familiar de um porto seguro em uma fonte adicional de estresse.
De acordo com a psicóloga Irenilza Moura, da rede Hapvida, o problema costuma surgir de forma sutil, muitas vezes disfarçada de incentivo. “Existem muitos pais que colocam suas próprias expectativas nos filhos acreditando que estão ajudando. Mas o jovem pode começar a se sentir cobrado, a não se sentir amado ou a achar que só é valorizado se passar na prova”, explica.
Na adolescência — fase marcada pela transição, busca por identidade e consolidação da autoestima —, o impacto emocional de uma grande avaliação é redobrado. O medo de decepcionar os pais, as expectativas sociais e a exposição constante a comparações nas redes sociais criam uma atmosfera de vulnerabilidade.
Para muitos estudantes, o senso de valor pessoal passa a ficar atrelado exclusivamente ao desempenho no exame. “Existe a cobrança familiar, mas existe também a autocobrança de que, se não passar, os pais não vão valorizá-los e os amigos vão achar que são incapazes. Isso intensifica a ansiedade de forma drástica”, pontua a psicóloga.
Para mitigar os riscos à saúde mental dos jovens, a orientação é clara: substituir o tom de cobrança por posturas ativas de escuta e validação. Pequenas mudanças na comunicação diária fazem enorme diferença na forma como o estudante assimila a pressão da reta final.
Perguntas que geram tensão — como "você estudou o suficiente?" ou "e se você não passar?" — devem dar lugar a abordagens empáticas, tais como:
"Como você está se sentindo nessa reta final?"
"Do que você precisa nesse momento?"
"Como eu posso te ajudar?"
“Se você traz palavras acolhedoras em vez de pressão, isso traz proteção para a saúde mental desse adolescente e gera um apego seguro. É mostrar que o importante é ele dar o seu melhor. E, se ele der o melhor, os bons resultados serão uma consequência natural”, afirma Irenilza.
Nesta reta final, determinadas atitudes comuns podem fragilizar o equilíbrio emocional do candidato e devem ser rigorosamente evitadas pelas famílias:
Comparações: Nunca compare o estudante com irmãos, primos ou colegas considerados mais dedicados; isso compromete severamente a autoestima.
Condicionamento de afeto: O apoio emocional e o carinho familiar jamás devem depender de uma aprovação.
Exigência de ritmo ininterrupto: Exigir que o jovem estude o tempo inteiro, abrindo mão de momentos de descanso e lazer, é contraproducente.
Minimização do sofrimento: Quando o candidato sinalizar cansaço ou exaustão emocional, jamais rotule o sentimento como “drama” ou “falta de esforço”.
Em contrapartida, o suporte prático e emocional da família é um diferencial competitivo e de saúde. Ajudar a organizar a rotina, garantir um ambiente de estudos adequado, respeitar os horários de sono e descanso e valorizar o esforço empreendido — independentemente da nota final — são atitudes que fortalecem o jovem.
“O Enem é importante, mas não define quem o adolescente é, nem determina sozinho o futuro. Uma aprovação pode abrir portas, mas uma reprovação não encerra possibilidades”, lembra a especialista. Segundo ela, o erro faz parte do aprendizado, permitindo que o jovem reavalie caminhos e adquira novas responsabilidades para os próximos desafios.
“É fundamental que as famílias incentivem sem transformar o amor em cobrança. Nenhuma prova deve custar a saúde mental de alguém. Cuidar de si também faz parte da preparação para o futuro. Cuidar da saúde mental e das emoções pode salvar uma vida”, conclui.
O grande objetivo, portanto, ultrapassa a nota de corte: trata-se de atravessar esse ciclo mantendo a integridade psicológica, a autoestima e a esperança no futuro. Que, ao olhar para trás, cada estudante possa ter a certeza de que a família esteve ao seu lado para vencer qualquer obstáculo.
(Com informações da Assessoria de Imprensa Hapvida).
Mín. 23° Máx. 40°