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Série da Netflix relembra tragédia do Césio-137 e recorda mobilização histórica em Valença do Piauí

O caso começou quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em busca de chumbo e acabaram liberando material altamente radioativo

03/04/2026 às 10h21 Atualizada em 03/04/2026 às 10h49
Por: Redação Fonte: “Do Autor / Encaminhada pelo Historiado Antônio José”
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A Netflix Brasil está exibindo em sua programação a minissérie Emergência Radioativa, que retrata o trágico acidente com Césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987 considerado por especialistas o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear.

O caso começou quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em busca de chumbo e acabaram liberando material altamente radioativo. A substância acabou sendo espalhada entre moradores da cidade, provocando uma grave contaminação. Inicialmente, quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição, e estimativas apontam que mais de 60 mortes posteriores podem estar relacionadas às consequências do acidente.

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A exibição da minissérie também trouxe à memória um episódio pouco lembrado envolvendo a cidade de Valença do Piauí. O município foi um dos locais brasileiros cogitados para receber parte das cerca de 6 mil toneladas de rejeitos radioativos gerados após a descontaminação de Goiânia. Assim como ocorreu em diversas cidades do país, a população valenciana se manifestou contrária à possibilidade.

Uma grande mobilização foi realizada na Praça Getúlio Vargas, reunindo moradores, estudantes e lideranças locais, como relembra o professor e historiador Antônio José.

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“Valença toda participou de uma concentração na Praça Getúlio Vargas. Houve discursos, faixas e cartazes em folhas de cartolina escritos com pincel atômico. Outros cartazes traziam o símbolo do raio, além de um tambor preto com o símbolo do perigo radioativo e uma caveira. O prefeito na época era o senhor Joaquim Lima Verde, que apoiou o movimento”, recordou.

O historiador também destacou a participação das escolas e professores da cidade.

“O Colégio Santo Antônio participou junto com os professores Damásio, Pereira, Augusto Miranda, Evandro Veloso, Dr. Damásio e professor Moura. A cidade toda esteve presente. Durante a caminhada, próximo ao Banco do Nordeste, o povo ficou de joelhos e cantou o Hino Nacional”, relatou.

Após estudos de viabilidade técnica e geológica, decidiu-se construir um depósito definitivo para os rejeitos em Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiânia. No local foram armazenados materiais contaminados, como roupas, móveis, entulhos de casas e até veículos.

O complexo ocupa uma área de cerca de 50 hectares e foi construído com elevados padrões de segurança. Atualmente, abriga 4.223 tambores e 1.343 caixas metálicas revestidas de concreto, que permanecem sob monitoramento permanente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

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