
HANNOVER, ALEMANHA – O clima diplomático entre Brasília e Washington atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira (21). Em agenda oficial na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom ao comentar a expulsão do delegado da Polícia Federal (PF), Marcelo Ivo, do território norte-americano. Lula sinalizou que o Brasil pode adotar medidas de "reciprocidade" contra oficiais dos Estados Unidos que atuam em solo brasileiro.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, afirmou o presidente a jornalistas na porta de um hotel em Hannover, confirmando ter sido informado sobre o episódio ainda nas primeiras horas do dia.
A expulsão de Marcelo Ivo é vista por analistas como um desdobramento direto da conturbada movimentação para capturar o ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, Ramagem fugiu para os EUA em setembro do ano passado.
No último dia 13 de abril, o ex-diretor da Abin chegou a ser detido pelo serviço de imigração norte-americano (ICE), mas foi colocado em liberdade apenas dois dias depois, gerando um mal-estar entre as autoridades de segurança dos dois países.
A resposta de Washington veio de forma incisiva. Em nota oficial, o Departamento de Estado dos EUA justificou a medida contra o delegado brasileiro alegando que o oficial tentou "manipular" o sistema de imigração americano. Segundo o governo Biden, a PF teria tentado "contornar pedidos formais de extradição" e estender o que chamaram de "perseguições políticas" ao território dos Estados Unidos.
Por outro lado, a Polícia Federal brasileira rechaça as acusações. Em nota, a corporação defendeu que a atuação em solo americano decorreu de "cooperação policial internacional" e que o objetivo era dar cumprimento à lei brasileira contra um réu considerado foragido da Justiça.
"O preso é considerado foragido após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", reiterou a PF em comunicado.
A crise coloca em xeque os acordos de cooperação entre a PF e o FBI/ICE, que historicamente são sólidos. Se Lula concretizar a ameaça de reciprocidade, o Brasil poderá dificultar o trânsito e a atuação de agentes americanos no país, o que marcaria um dos momentos mais delicados da relação bilateral entre as duas administrações.
O Itamaraty e o Ministério da Justiça ainda avaliam os próximos passos diplomáticos, enquanto a oposição no Congresso Nacional já sinaliza que deve convocar o Ministro da Justiça para explicar as circunstâncias da operação em território estrangeiro.
Fonte: "Matéria reprodusida do Portal Cidadeverde.com"
Mín. 26° Máx. 41°