Aprender a lidar com ansiedade, depressão e medo do fracasso não é tarefa simples. Imagine para quem acabou de entrar na faculdade e percebeu que a realidade é um tanto diferente do sonho que se tinha antes. Problemas como estes se refletem na alta taxa de evasão em alguns cursos, como é o caso de Engenharia de Materiais, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Dos 40 alunos que iniciaram na primeira turma, apenas oito se formaram.

Professora Doutora Carla Eiras, coach em carreiras, ministrará Felicidade aos alunos da UFPI

Com isso, a UFPI será a primeira instituição de ensino superior do Nordeste a incluir a Felicidade em sua grade curricular, e também a segunda do país. Até hoje, somente a Universidade de Brasília (UnB) tem a matéria.

“Além da questão da grande evasão do curso, a gente percebe que os alunos ficam muito isolados, ansiosos, com depressão. Alguns até me procuravam para conversar e chegavam a falar de suicídio”, conta a docente, que é coach em carreira acadêmica e estudiosa da área de desenvolvimento humano.

Foto: Wilson Filho / Cidadeverde.com

Do que tratará a disciplina

Carla buscou referências no livro “O jeito Havard de ser feliz”, de Shawn Achor, que explica como a Disciplina da Felicidade é ministrada na universidade americana e entrou em contato com o professor da UnB responsável pela matéria.

“A disciplina focará na inteligência emocional, que é extremamente esquecida no ambiente acadêmico, especialmente em cursos técnicos, como é o caso da Engenharia de Materiais. A gente vai trabalhar a conexão dos alunos com os outros e com eles mesmos. Isso é importante, mas ainda não estava sendo trabalhado. E, quando esses alunos tiram uma nota baixa, acham que não vão conseguir seguir em frente”, afirma a professora.

Carla Eiras explica que, diante dos problemas, os alunos ficam introspectivos, o que dificulta a busca pela solução. “Eles se fecham dentro dos problemas, não mostram a vulnerabilidade. A disciplina vai trabalhar isso, tratar sobre resiliência, como enfrentar as dificuldades e se sentir grato. Eles sonham em entrar na faculdade, mas quando entram só enxergam as cobranças, não vêem mais o lado bom”, considera a coach.

A professora acredita que ministrar a disciplina vai proporcionar mais qualidade de vida aos alunos. “Hoje em dia eu já tenho reservado um tempo na aula para conversar com eles e é incrível a transformação deles. Acho que os resultados serão praticamente imediatos”, diz, confiante.

Disciplina Optativa

Carla Eiras ministra atualmente a disciplina Nanotecnologia e Biomateriais. A Disciplina da Felicidade será optativa, de 60 horas/aula e pode ser pega em qualquer período. “A ideia inicial seria para os calouros, mas há alunos do final do curso que demonstraram interesse em participar, o que mostra que as dificuldades estão em todas as fases”, completa a professora.

A avaliação da disciplina será a frequência – serão quatro horas de aula por semana – e a realização de atividades de desenvolvimento de jogos, músicas, e outras coisas que gerem felicidade. “Será uma disciplina vivencial”, acrescenta Carla.

Para explicar aos alunos os objetivos e práticas da disciplina, a professora Carla Eiras vai ministrar uma palestra sobre o assunto, na próxima sexta-feira (23), às 9h, no Centro de Tecnologia da UFPI, auditório de Pós-Graduação do curso de Engenharia de Materiais. 

A professora doutora Rafaela Luiz dos Santos é uma das docentes que estão empolgadas com a nova realidade do curso a partir da implantação da Disciplina da Felicidade. “Essa disciplina foi toda desenvolvida com base em Havard e considero muito importante, principalmente diante da realidade do nosso curso e dos problemas psicológicos que nossos alunos enfrentam. O curso é pesado, tem uma carga horária extensa e os alunos de hoje se sentem desprezados, rebaixados quando não conseguem nota boa”, frisa.

Foto: Wilson Filho / Cidadeverde.com

Professora Doutora Rafaela dos Santos acredita que a disciplina ajudará os alunos a lidar com as frustrações

E, ao que tudo indica, a Disciplina da Felicidade não vai ficar restrita ao curso de Engenharia de Materiais. Existem discussões avançadas sobre a implantação da disciplina em outros cursos da UFPI, inclusive fora da área da Engenharia.

Mais do que transmitir conhecimento, os professores estão abrindo os olhos para um grave fenômeno, que não é só local, mas mundial – a saúde mental é um problema que ultrapassa o campus da UFPI. Estudos mostram que 16% dos estudantes universitários de todo o mundo sofrem com algum tipo de transtorno psicológico.

Por Jordana Cury
Fonte: Cidadeverde.com

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