A devoção popular ao sapateiro valenciano Tertuliano Lima Neto, (Terto) figura marcada por sofrimento, fé e superação, cresce a cada ano e já se consolida como uma das celebrações mais participativa da cidade. Nesta sexta-feira, 28 de novembro, às 19h, será realizada a missa em ação de graças pelos 100 anos de nascimento e 77 anos de morte de Tertuliano, cuja história segue o caminho da fé.
Tertuliano enfrentou um duro martírio, agravado pelo preconceito e pela desinformação de sua época. Na década de 1940, espalhou-se no município a notícia de que ele teria contraído a doença de Hansen, então conhecida como lepra o que gerou pânico, isolamento e uma série de atitudes discriminatórias.

O historiador Antônio José Mambenga recorda que até mesmo após sua morte, em 1948, o sofrimento continuou.
“A cidade ficou em pânico por não saber o processo de transmissão Valença ficou praticamente isolada quando ocorreu o óbito, não encontraram pessoas para levar o corpo ao cemitério precisaram de presidiários para escavar a sepultura e fazer o enterramento. A população se rebelou e não aceitou que Terto fosse enterrado junto aos outros no cemitério São Benedito, daí ele ter sido enterrado na lateral, onde até hoje permanece o túmulo”, relatou o historiador.

De rejeitado a símbolo de fé: a história que virou devoção
Ainda segundo Antônio José, foi na década de 1960 que a trajetória de Tertuliano começou a ganhar novos significados. A partir de visitas espontâneas, acendimento de velas e orações, a crença popular ganhou corpo após relatos de promessas atendidas.
“No limiar da década de 60, as pessoas faziam visitação, acendiam velas, levavam flores, faziam orações. Alguém arriscou fazer uma promessa e foi atendido com isso, aumentou o número de visitações à Cova do Terto. O primeiro túmulo foi feito pela professora Rosa Maria e cada vez mais pessoas passaram a rezar e pedir graças à mediação do Terto”, explicou.
O historiador destaca ainda que o sapateiro já foi tema de monografias, TCCs e citado em dissertações de mestrado, reforçando o interesse crescente por sua história e a devoção extrapolou fronteiras.
“Vêm pessoas de Rondônia pagar promessa aqui em Valença de Belém do Pará, devido a graças alcançadas, mediadas pelo Tertuliano. Então, ele poderá sim, quem sabe, no futuro bem próximo, se tornar o primeiro santo valenciano”, concluiu. Clique no player e conheça mais sobre a história de Tertuliano Lima com o professor Antônio José.

Fonte: PortalV1














