Sob forte comoção, o enterro da universitária Remis Carla Costa, de 24 anos, foi marcado por homenagens, neste domingo (24). No Cemitério Campo Santo São José, em Paulista, no Grande Recife, bastante emocionada, a mãe da estudante, Ruzinete Costa, disse que ainda tinha a esperança de encontrar a filha com vida. A jovem foi morta após ter sido esganada pelo namorado, o ajudante de pedreiro Paulo César Oliveira da Silva, de 25 anos.

Ruzinete Costa, mãe de universitária morta por namorado no Recife, consolada pela amiga de Remis Carla, Jessica Alves (Foto: Thays Estarque/G1)

“Passei a tarde de ontem procurando ela nos hospitais e pregando cartazes com a foto dela. Até ontem, eu ainda tinha a esperança de que ela poderia estar presa em algum lugar e poderia aparecer. Mas, infelizmente, ela apareceu da pior forma possível”, lamentou a mãe.

De acordo com a polícia, o namorado confessou o crime. Ele foi preso em flagrante por ocultação de cadáver, em Vicência, na Mata Norte, e vai responder também por feminicídio. Paulo enterrou o corpo de Remis a, aproximadamente, 400 metros da sua casa. Remis estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro.

Paulo César foi preso por matar a namorada, Remis Carla, no Recife (Foto: Danielle Fonseca/TV Globo)

Paulo César foi preso por matar a namorada, Remis Carla, no Recife (Foto: Danielle Fonseca/TV Globo)

O casal estava junto há cerca de dois anos. Ainda segundo a amiga Jessica Alves, as agressões e ameaças foram se tornando cada vez mais frequentes com o passar do tempo. Porém, de acordo com Ruzinete, a filha não contava para a família o que sofria no relacionamento.

“Infelizmente, eu só soube dessa ficha de agressões no dia do desaparecimento dela. Ele passou por mim na sexta-feira, quando fomos na delegacia, e perguntou como eu estava. Na saída, ele acenou com a cabeça como quem diz: não tenho nada a ver com o caso. Infelizmente, ele tinha tudo a ver com o caso”, contou a mãe.

Sem velório, o corpo de Remis chegou no cemitério por volta das 11h20. No local, o que se via nos semblantes dos presentes era de consternação. Para os amigos e parentes, era difícil acreditar que a vida da universitária havia sido tirada de uma forma tão brutal.

“A gente não vai poder fazer um velório, de se despedir dignamente dela, com as homenagens que ela merece, por conta da demora da polícia em encontrar o corpo. Isso será denunciado em todas as instâncias. E a luta que ela nos convocou em toda vida, nos convoca agora para que o que aconteceu com ela seja denunciado, para que isso não volte a acontecer com outras mulheres”, completou Jessica.

Universitária Remis Carla Costa foi enterrada no Cemitério de Paulista, no Grande Recife, sob palmas e homenagens (Foto: Thays Estarque/G1)

Universitária Remis Carla Costa foi enterrada no Cemitério de Paulista, no Grande Recife, sob palmas e homenagens (Foto: Thays Estarque/G1)

Entre lágrimas e revolta, parentes e amigos denunciavam o trabalho do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pela demora em encontrar o corpo e por não considerar, logo no primeiro momento, o namorado da estudante como principal suspeito pelo crime.

“A gente imaginava sim que ele era capaz de fazer isso com ela pelos relatos que ela nos concedia. Pelas coisas que ela falava, pelos absurdos, violência e tortura que ele cometia contra ela. Nós falamos isso na delegacia desde o início. Nós falamos que ela tinha um Boletim de Ocorrência na Delegacia da Mulher, que ele era o principal suspeito. A única instituição que negou ele como suspeito foi a própria polícia”, comentou Jessica, indignada.

Integrantes do Movimento Feminista Popular, no qual Remis Carla fazia parte, fizeram homenagens para universitária (Foto: Thays Estarque/G1)
Integrantes do Movimento Feminista Popular, no qual Remis Carla fazia parte, fizeram homenagens para universitária (Foto: Thays Estarque/G1)

Remis era integrante do Movimento Feminista Popular. No local, eles exibiram um grafite com o rosto da universitária e um cartão com os dizeres: Remis Carla presente na luta. A queixa prestada na Delegacia da Mulher é datada do dia 23 de novembro deste ano, um mês antes de ser encontrada morta esganada.

“Isso não vai ser esquecido e não vai ficar impune. Vai ter Justiça, a Justiça vai ser feita. Essa é a promessa dos amigos, da família. Vamos transformar essa tristeza em indignação e revolta”, concluiu uma das integrantes do movimento, Bruna Carolina, sob uma salva de palmas enquanto o caixão era colocado na sepultura.

Fonte: G1 PE / Thays Estarque

 
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