A mestre em pedagogia Letícia Caroline Pereira do Nascimento foi empossada professora da Universidade Federal do Piauí. Letícia é a primeira travesti a assumir um cargo de professora da UFPI. Ela irá trabalhar no campus da cidade de Floriano, e sua primeira aula acontece nesta quinta-feira (27)

 Letícia Caroline Pereira do Nascimento foi empossada professora da UFPI nesta segunda-feira (25) — Foto: Arquivo Pessoal

A professora disse ao G1 que considera sua posse uma conquista não só para a população LGBTQ+. “É algo muito significativo não apenas pra mim, mas para todas as travestis, todas as mulher negras, de candomblé, por que são grupos que são alijados dos processos sociais”, disse Letícia.

Letícia assina documento de posse do cargo de professora da Universidade Federal do Piauí — Foto: Arquivo Pessoal

Letícia assina documento de posse do cargo de professora da Universidade Federal do Piauí — Foto: Arquivo Pessoal

Letícia lembra que o preconceito contra travestis desde a própria família até a sociedade como um todo impede que essas pessoas concluam sequer o ensino fundamental. “Temos travestis que são expulsas de casa aos 14, 15 anos. Como vão chegar a universidade, como alunas ou professoras?”, questiona.

Para ela, seu caso pode inspirar outras travestis e transexuais a acreditar que podem ingressar no ensino superior. “Claro que para superar essas dificuldades não basta somente esforço. Não concordo com esse discurso da meritocracia. É importante que a gente saiba que as oportunidades não são as mesmas”, disse.

Letícia posa ao lado de membros do Grupo Piauiense de Transexuais e Travestis (GPTrans) no salão nobre de Universidade Federal do Piauí, em Teresina — Foto: Arquivo Pessoal

Além de professora, Letícia ingressa também no doutorado, e terá de dividir suas semanas como professora no Campus de Floriano e como aluna no Campus de Teresina. Letícia atua na área de pedagogia, e disse que com seu trabalho, planeja pavimentar o caminho da educação para outras travestis e transexuais.

“A partir dos projetos, podemos estar formando um quadro de pedagogos e pedagogas mais sensível estas questões sociais, que desenvolvam uma prática educadora acolhedora, que seja qualificado para trabalhar com as diferenças. Assim nós teremos uma escola mais inclusiva”.

 Fonte: G1.Piuaí

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