Antes de dar uma coronhada em Marisa de Carvalho Nóbrega, de 48 anos, durante operação na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, na madrugada do último domingo, um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) mandou a mulher bater na própria filha. O relato foi feito na 32ª DP (Taquara) por uma testemunha do crime. Segundo o morador da favela, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, pouco após os dois filhos de Marisa serem abordados pelos policiais, a mulher foi acordada em casa e foi até o local, na localidade conhecida como Pantanal. Quando chegou, ainda com roupa de dormir, os agentes afirmaram que seus filhos estavam com um radiocomunicador e ordenaram que ela batesse na filha. Marisa se negou e foi agredida com uma coronhada na nuca.

— Eles gritaram: “Bate nela, bate nela”, apontando para a filha. A menina disse que não estava com o rádio e ela não bateu. Então, chamaram ela de piranha e bateram nela com o fuzil — afirmou a testemunha.

Ao final das agressões, os dois filhos de Marisa foram liberados pelos policiais. A mulher, entretanto, só começou a passar mal quando chegou com os filhos em casa. Cerca de dez minutos após a coronhada, ela começou a vomitar e desmaiou. Então foi levada para a UPA da Cidade de Deus. Transferida depois para o Hospital Salgado Filho, no Méier, ela acabou morrendo na tarde da última segunda-feira. Na certidão de óbito, consta como causa da morte um aneurisma.

Segundo parentes, os policiais do Bope desconfiaram do filho de Marisa, um adolescente de 17 anos, porque o consideram muito bem vestido, o que poderia, para eles, ser um indício de ligação com o tráfico. Na ocasião, ele vestia um casaco e um boné de marca.

A denúncia de que Marisa morreu em decorrência de uma agressão policial circulou em redes sociais e acabou levando a família passar por mais um drama. Quando se preparavam para se despedir da moradora da Cidade de Deus, nesta terça-feira, parentes e amigos foram surpreendidos pela presença de policiais da 32ª DP no Cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá.

Eles impediram a realização do enterro de Marisa. A polícia quer que o corpo passe por um exame cadavérico no Instituto Médico-Legal (IML) para averiguar se ela morreu em decorrência da agressão do policial do Bope. A delegacia abriu um inquérito para investigar o caso. A Corregedoria da PM já recebeu a informação e também está apurando a denúncia.

O enterro de Marisa não tem data para ocorrer. O titular da 32ª DP (Taquara), delegado Rodolfo Waldeck, já está ouvindo testemunhas do caso e informou que convocará para depor os policiais militares que participaram da operação na Cidade de Deus, durante o fim de semana.

Fonte: Extra

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