Cerca de 45 mil de espanhóis participaram neste domingo (10) de uma manifestação convocada por partidos de direita em Madri para exigir a renúncia do presidente do governo, Pedro Sánchez, e pedir a realização de eleições antecipadas. O líder socialista é acusado de ceder às exigências dos independentistas catalães.

Partidos de direita protestam contra o presidente do governo espanhol Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10)  — Foto: Sergio Perez/ Reuters

Partidos de direita protestam contra o presidente do governo espanhol Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10) — Foto: Sergio Perez/ Reuters

Os líderes do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado, dos Ciudadanos (liberais), Albert Rivera, e o presidente do ultradireitista Vox, Santiago Abascal, foram fotografados pela primeira vez juntos na praça de Colón durante a manifestação, de acordo com o jornal “El País”.

“O tempo de Sánchez já acabou. Não cabe mais rendição socialista nem mais chantagem independentista. Hoje começa a reconquista”, afirmou Pablo Casado.

A concentração terminou com a leitura de um manifesto que diz que “a união nacional não será negociada” e que os espanhóis “não estão dispostos a tolerar mais traições e nem concessões diante daqueles que querem destruir a nossa pátria”

Manifestantes que atenderam à convocação de partidos de direita levaram bandeiras para protestar contra Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10)  — Foto: Sergio Perez/ Reuters

Manifestantes que atenderam à convocação de partidos de direita levaram bandeiras para protestar contra Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10) — Foto: Sergio Perez/ Reuters

Sánchez conta com o apoio de somente um quarto do parlamento e depende do suporte do partido anti-austeridade Podemos e dos nacionalistas catalães, bem como de outros partidos menores, para aprovar leis.

Na quarta-feira (13), está marcada uma votação crucial para o governo, sobre a proposta de orçamento para 2019, que deve ser rejeitada caso não haja o apoio de partidos catalães. Mas tais grupos afirmam que a aprovação do orçamento está condicionada à inclusão da questão da independência nas negociações com a Catalunha, algo que o governo nega fazer.

A rejeição da lei orçamentária no parlamento pode precipitar uma nova eleição antes da prevista para 2020.

Negociações

Sánchez chegou ao poder em junho de 2018 com a promessa de aliviar as tensões entre o governo central de Madri e os líderes catalães. O líder socialista se encontrou duas vezes com o presidente do governo regional, Quim Torra, e integrantes dos dois executivos realizaram várias outras reuniões.

A proposta feita pelo governo na terça-feira (5) de nomear um relator para mediar negociações entre partidos políticos e lidar com o movimento independentista fortaleceu a oposição. O líder socialista foi acusado fazer concessões ao movimento catalão.

De acordo com a Associated Press, Sánchez disse que estaria disposto a negociar um novo Estatuto de Autonomia para a Catalunha, que determina o autogoverno da região. Porém, ele rompeu as negociações na sexta-feira (8), quando a vice-presidente, Carmen Calvo, disse que os separatistas não abandonariam sua demanda por um referendo sobre a independência.

Crise com a Catalunha

O protesto contra o socialista acontece na semana em que vão a julgamento 12 líderes do movimento que declarou unilateralmente a independência da Catalunha em 2017. O Ministério Público pediu até 25 anos de prisão contra os acusados, que no momento dos fatos eram responsáveis pelo Executivo e pelo Parlamento regionais.

Sánchez herdou a crise catalã de seu antecessor no Palácio de Moncloa, Mariano Rajoy – considerado incapaz de conter a ascensão do movimento separatista catalão. Rajoy deixou o poder em junho de 2018 após ter sido alvo de uma moção de censura.

Pedro Sánchez, presidente da Espanha, em imagem de arquivo — Foto: Javier Barbancho/Reuters

Pedro Sánchez, presidente da Espanha, em imagem de arquivo — Foto: Javier Barbancho/Reuters

A crise política envolvendo Madri e a Catalunha foi desencadeada pela realização de um referendo considerado ilegal pelo governo e pela Suprema Corte espanhóis. Nessa consulta popular ocorrida em outubro de 2017, 90% dos votantes foram a favor da independência (2 milhões de pessoas, ou 43% do eleitorado catalão).

Com o resultado favorável à separação, o presidente regional catalão, Carles Puigdemont, afirmou no Parlamento local que a região “ganhou direito de ser independente”.

O pronunciamento foi interpretado como uma declaração unilateral de independência da região e o governo espanhol, então dirigido pelo conservador Mariano Rajoy, destituiu o Executivo de Puigdemont, dissolveu o Parlamento catalão e suspendeu a autonomia da região.

Fonte: G1

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