Um grupo formado por cerca de cinquenta venezuelanos chegou nesse domingo (12) a Teresina. Eles contaram ao G1 que saíram da Venezuela há cerca de um ano e meio fugindo da crise que atinge o país, que deixa famílias sem emprego e passando fome. O grupo tem pelo menos 10 crianças, entre bebês de poucos meses até crianças de cerca de 10 anos. Todos precisam de ajuda principalmente para comer.

Grupo de venezuelanos chegou em ônibus no Centro de Teresina. — Foto: Maria Romero/G1 PI

Grupo de venezuelanos chegou em ônibus no Centro de Teresina. — Foto: Maria Romero/G1 PI

“Deixamos pai e mãe e outros familiares. Saímos da Venezuela porque estávamos passando fome, sem emprego, sem roupas, estávamos passando necessidade, as crianças com fome, tudo por conta da crise, as pessoas morrendo. Por isso entramos no Brasil e agora estamos aqui”, contou um dos venezuelanos.

Grupo de venezuelanos pede ajuda à população em lojas e casas lotéricas do Centro de Teresina — Foto: Maria Romero/G1

Grupo de venezuelanos pede ajuda à população em lojas e casas lotéricas do Centro de Teresina — Foto: Maria Romero/G1

Um dos homens do grupo, que preferiu não se identificar, disse que há várias famílias entre os viajantes. A maioria trabalhava com a pesca e agricultura em Tucupita, no estado de Delta Amacuro, na região Leste da Venezuela, e pertencem à tribo Warao.

O grupo passou a noite de domingo no chão da Rodoviária Rural, localizada no Centro de Teresina. Na manhã de segunda-feira (13) as famílias conseguiram alugar uma casa. Eles não decidiram ainda por quanto tempo irão permanecer na cidade.

Mulheres e crianças do grupo ficam nas casas lotéricas do Centro, pedindo ajuda às pessoas. Eles contaram que precisam de dinheiro porque comeram pela última vez no domingo, e não têm previsão de quando farão a próxima refeição.

Os venezuelanos viajam juntos e buscam trabalhos e ajuda a cada cidade em que chegam. Parte do que conseguem ganhar no Brasil em dinheiro eles enviam para os parentes na Venezuela.

Grupo de venezuelanos pede ajuda à população em lojas e casas lotéricas do Centro de Teresina — Foto: Maria Romero/ G1 PI

Grupo de venezuelanos pede ajuda à população em lojas e casas lotéricas do Centro de Teresina — Foto: Maria Romero/ G1 PI

A viagem começou há cerca de um ano e meio. O grupo morou durante quase um ano em Belém, no Pará. Depois viajou por semanas em cidades do Maranhão, antes de chegar ao Piauí.

Parte do grupo fala que pretende trabalhar para economizar dinheiro em Teresina e conseguir voltar para a Venezuela. Outra parte pretende seguir viagem por outros estados brasileiros, mas não informam para onde.

“Pretendemos voltar, estamos buscando dinheiro, pedindo para as pessoas, para viajar [para a Venezuela]. Eu quero ajudar meu pai e minha mãe, que ficaram por lá, levando roupas e comida. Não vejo eles há um ano e meio e quando consigo algo, mando para lá”, conta.

Eles contam que temem as ações das prefeituras nas cidades onde chegam, que muitas vezes os impedem de se manter na cidade.

“Eles até falam com a gente, pegam nossos nomes, das crianças, mas colocam a gente em abrigos muito longe do Centro, não temos como trabalhar nem comprar as coisas. Queremos ficar onde conseguimos trabalhar e comprar roupas e comida”, explicou.

G1 entrou em contato com a prefeitura de Teresina, para saber que providências poderão ser tomadas sobre a situação das famílias. A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) informou que ainda vai buscar informações sobre o grupo para saber quais medidas serão adotadas.

Longa crise política, econômica e social

Há mais de 15 anos, a Venezuela enfrenta uma crescente crise política, econômica e social. O país vive agora um colapso econômico e humanitário, com inflação acima de 1.000.000% e milhares de venezuelanos fugindo para outras partes da América Latina.

Em abril, diversas interrupções no fornecimento de energia e água ameaçaram uma catástrofe sanitária. A ONG norte-americana Human Rights Watch disse que a saúde do país está sob “emergência humanitária complexa”.

Fonte: G1PI por Por Maria Romero e Andrê Nascimento

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