Vi pela Globonews a informação de que a Justiça Eleitoral enxerga a situação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), agora condenado junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, complicada.

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já consideram inevitável a cassação de um eventual registro de candidatura de Lula. É que ele cai na Lei da Ficha Limpa a partir do momento em que um colegiado o condenou.

E se Lula não for realmente candidato, como fica o cenário político no Piauí?! O próprio governador Wellington Dias (PT) tem em um Lula o maior carro chefe de sua campanha. Aliás, quase todos os prováveis candidatos na eleição deste ano preparam suas fotos de divulgação tendo uma foto do ex-presidente do lado da sua.

Lula é não só um ‘arrasta-votos’ no Piauí. É considerado um herói para muita gente. Não. Não necessariamente a pessoa é petista. São pessoas que de alguma forma, de 2003 para cá, foram beneficiadas, seja com Bolsa Família, seja com bolsas de estudo para um curso de ensino superior. E não há quem não diga, para essas pessoas, que é fruto do que o “presidente Lula” fez em seu mandato. São eleitores que garantiriam muitos votos a Lula até mesmo se pudesse ser candidato estando dentro de uma prisão.

Wellington Dias foi a Porto Alegre e depois a São Paulo acompanhar Lula (Foto: Divulgação)

Vamos a alguns cenários, no caso de Lula estar impossibilitado de ser candidato:

1-PT candidato a governador tendo o PMDB, o Progressistas e outro partido forte na chapa majoritária e diversos outros partidos formando aliança governista:

É o cenário atual e o mais esperado, com W.Dias encabeçando a chapa. Mesmo sem Lula, o nome dele é forte em todo o estado. A popularidade dele é tão boa quanto a do ‘companheiro’. E desde quando o nome de Lula apareceu em denúncias, ainda nos tempos do Mensalão, o de W.Dias não sofreu um só arranhão.

Isso pode favorecer a chapa dos sonhos do próprio governador. Ele quer o Progressistas do senador Ciro Nogueira, o PMDB do presidente da Assembleia Themístocles Filho, o PTB do deputado federal Paes Landim, o PSD do deputado federal Júlio César e o PDT do secretário Flávio Nogueira do seu lado. Resta saber se algum destes, sem um Lula como puxador de votos, fica ou sai.

W.Dias no meio de Margarete (Progressistas) e Themistocles (PMDB): quer os dois com ele (Foto: Reprodução)

2- PT candidato a governador perdendo ou o PMDB, ou o Progressistas ou outro partido forte na chapa majoritária ou mesmo perdendo alguns da aliança governista:

É o cenário que pode mudar todo uma conjuntura. Na hipótese de o PMDB ou o Progressistas sair da base governista, por exemplo, W.Dias encararia uma oposição, no mínimo, de igual para igual. Além disso, outros partidos que hoje fazem parte da base poderiam ir junto com um desses ‘grandes’. E sem Lula, um nome forte poderia crescer como candidato a presidente da República, nacionalmente falando, que não seja do PT. Isso complicaria em muito os planos de Wellington e de todo o Partido dos Trabalhadores no Piauí;

3-PSDB candidato a governador tendo o PMDB, ou o Progressistas ou outro partido que antes fazia parte da aliança governista de Wellington Dias:

Um cenário que pode crescer muito sem um nome forte como o do Lula numa campanha. Hoje o PSDB tem o nome do deputado estadual Luciano Nunes como bem aceito por eleitores e pela própria classe política. Mas tem também o do prefeito de Teresina Firmino Filho, que nem diz que é candidato, nem diz que não é e muito menos diz que apoia o nome de Luciano.

A partir de agora os tucanos –não custa lembrar que também estão de filme queimado pelo que aconteceu recentemente com o seu último candidato a presidente, o senador Aécio Neves– pode se consolidar em cima de um nome, crescerem nas pesquisas e terem o apoio de partidos como PMDB, Progressistas, PTB e por aí vai. Afinal, não é incomum partidos preferirem pau que dê sombra;

E será que o nome da vez passa a ser o de Bolsonaro no Piauí?! (Foto: João Brito Jr/ OitoMeia)

4-Candidato de um partido menor que tenha o nome do pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro como figura principal na campanha deste ano:

Este é um tipo de cenário totalmente hipotético. Ainda não dá para saber realmente para onde vai Bolsonaro na eleição presidencial deste ano. No que depender das últimas pesquisas eleitorais, Bolsonaro é um fenômeno. E isso, toda essa fama de “mito”, ao mesmo tempo que pode ajudar a ter voto, também pode afastar muito eleitor que odeia “oba-oba”.

Nomes como o do deputado estadual Dr Pessoa (hoje no PSD, mas que não cansa de dizer que pode sair para um partido menor, podendo ser o próprio PSL do Bolsonaro, ou o Patriota, ou a Rede e por aí vai) podem crescer num eventual cenário deste tipo. E se, por mais difícil que seja se enxergar, este cenário crescer não se espante de ver grandes migrando para este lado. Como eu disse, este talvez seja o cenário mais difícil de, digamos, “adivinhar”.

Cenários postos, segue comentário de um dos mais respeitados cientistas políticos do estado, o professor Washington Bonfim, enviado exclusivamente ao OitoMeia:

“Percebo que o PT deve continuar insistindo (na tese de Lula, mesmo condenado, ser candidato), mas o efeito prático disso no Piauí pode ser que, de alguma forma, coloque o governador Wellington Dias fique numa situação menos confortável. Na realidade, ele faz a campanha dele na esteira de uma imagem forte que tem o ex-presidente Lula, dono de votos de maneira expressiva no estado. Além disso Wellington apareceu como um grande defensor de Lula durante todo este processo em que o ex-presidente foi condenado. Aliás, fez questão de estar na linha de frente da defesa de Lula

O segundo ponto é que é preciso esperar para se ver as intenções de votos a partir de agora. É isso que vai ditar o ritmo das coisas. O governador tem uma posição sólida em intenções de votos no estado, é verdade. Também tem uma posição política forte. É hábil para manter suas bases. Mas mesmo assim só depois do Carnaval, final de fevereiro, início de março é que saberemos como apontarão as intenções de votos.

Será o fator determinante. Inclusive do ponto de vista da oposição. Até porque, ela, a oposição, ainda não tem um nome consolidado. O de Luciano (Nunes) apareceu bem, mas aparentemente ainda não está colocado como o candidato da oposição. E essa movimentação é que vai ditar sobre quem enfrenta o governador. O fato é que, por enquanto, não vejo uma grande modificação”.

Washington Bonfim analisa cenário eleitoral após condenação de Lula  (Foto: Reprodução)

Fonte: Cidadesnanet por Oito Meia

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